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Garotinho denuncia: Rede Globo investe na mentira para confundir o telespectador

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Deu no blog do Garotinho, que desafia as Organizações Globo a investigarem o patrimônio de Sérgio Cabral:


“As Organizações GLOBO agem de forma tendenciosa, cínica e leviana. Em matéria veiculada no RJ TV 2ª edição, nesta sexta-feira, induz os telespectadores a pensarem que eu e Rosinha compramos um apartamento na Tijuca, com o suposto dinheiro desviado pelas ONGs. É mais uma tentativa sórdida de nos atingir! O único imóvel que possuímos é a casa que herdei de meu pai, na cidade de Campos. E nada mais!”

Por que a GLOBO é tendenciosa? Hoje, depois de já ter sido governador do Estado, prefeito de Campos duas vezes, três vezes secretário de Estado e deputado estadual, além de minha esposa Rosinha ter sido governadora, resido num apartamento alugado, no bairro do Flamengo.


Desafio as Organizações GLOBO a mostrarem que eu tenho o apartamento que o noticiário insinuou ao dizer que “um dos acusados”, sem citar nome, teria comprado. Os promotores passaram para a GLOBO o nome do acusado que comprou o apartamento.


Por que não divulgaram o nome dessa pessoa? É simples, apenas para induzir os telespectadores, por associação de idéias, a imaginarem que fui eu ou Rosinha que compramos o tal apartamento.

Engraçada a GLOBO, todo o povo do Estado do Rio de Janeiro sabe que o governador Sérgio Cabral, fraudando a sua declaração de rendimentos, adquiriu uma mansão, em Mangaratiba, avaliada hoje em R$ 4 milhões e declarada ao Fisco por R$ 100 mil. Que tal uma bela reportagem da GLOBO sobre este assunto?


A emissora e o jornal estão desafiados, a produzirem uma reportagem sobre o que o Garotinho tem e o que Cabral tem, e como cada um adquiriu os bens que possui. Aliás, além da mansão de Mangaratiba, Cabral mora num suntuoso apartamento no bairro do Leblon, um dos metros quadrados mais caros do mundo. O imóvel também está avaliado em torno de R$ 4 milhões.


Diferente da minha vida que, quando não estou exercendo cargo público, trabalho como radialista e publicitário, Cabral, desde cedo, só exerceu mandatos como deputado estadual, senador e governador. Além disso, foi presidente da Turisrio. Sempre trabalhou no serviço público; sempre viveu às custas do contribuinte.


Que tal a GLOBO contratar um especialista em finanças para descobrir a mágica que Cabral fez como político profissional ao logo de sua vida, para adquirir esse patrimônio milionário?

Reafirmo: a matéria desta sexta-feira, no RJ TV é completamente tendenciosa. O único imóvel que possuo é a casa que herdei do meu pai, na cidade de Campos e desafio a GLOBO a provar o contrário.

TV Globo atuou como polícia na Satiagraha

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A Rede Globo continua fazendo cara de paisagem para a denúncia gravíssima de que atuou como agente policial na Operação Satiagraha. Não desmente a acusação, e nem pode, porque estaria negando o óbvio. Mas foge do assunto como o diabo foge da cruz. Para ativar a memória do leitor: durante a Operação Satiagraha, o delegado federal Protógenes Queiróz solicitou à Rede Globo um cinegrafista e um equipamento de vídeo para filmar uma suposta tentativa de suborno de delegados por representantes do banqueiro Daniel Dantas. Pedido feito, pedido atendido.

No momento em que se dispôs a colaborar com a investigação – oferecendo pessoal e equipamento - a Rede Globo de Televisão abdicou do jornalismo para travestir-se de agente policial. A cena foi filmada e levada ao ar pela própria Globo, que teve, é claro, direito de exclusividade. Discute-se, agora, se houve de fato uma tentativa de suborno naquele encontro “coberto” pela Globo por ordem da PF. O delegado Protógenes garante que sim; o banqueiro Daniel Dantas jura que não. O que nenhum dos lados nega é que uma emissora de televisão – a maior do país – atuou como força policial e não como empresa jornalística. Daniel Dantas afirmou ontem, na CPI dos Grampos, que o vídeo feito pela Globo foi manipulado e montado para dar a impressão de que houve tentativa de suborno.

Segundo a reportagem da Globo, ninguém acreditou no banqueiro. Como mesmo os mais desatentos telespectadores do Jornal Nacional perceberiam que há alguma estranha cumplicidade entre a PF e a Globo nesta história, a empresa mandou o âncora Willian Bonner ler um editorial, logo depois da reportagem, para engambelar o público. Eis um trecho do editorial: “Em respeito ao sigilo da fonte, que é um princípio assegurado pela Constituição, a TV Globo sempre se viu impedida de comentar a maior parte das afirmações que têm sido feitas.

A situação é a mesma nesta quinta. “Como nós dissemos desde o primeiro dia, a credibilidade do jornalismo da Globo faz com que ela tenha fontes na sociedade civil em geral e em todas as esferas do setor público. Não foi diferente neste caso. “Mas a TV Globo pode assegurar que, nos nossos telejornais, o áudio e o vídeo relativos à Operação Satiagraha foram sempre apresentados separadamente, sem que jamais tenham sido superpostos.” O sigilo da fonte não está em discussão neste caso, diferentemente do que afirma a TV Globo.

O que deve ser discutido é se uma emissora privada que atua como concessão pública tem direito de colaborar numa investigação policial. Que a Globo tenha fontes na sociedade civil ninguém questiona. O que está sendo questionada é a razão pela qual a maior emissora de televisão do país acata o pedido de uma fonte – o delegado da PF – e fornece gente e equipamento para fazer escuta e filmagem clandestina no meio de um inquérito. Finalmente, Willian Bonner troca a cara de paisagem por um olhar sério e grave para jurar de pés juntos que a TV Globo não manipulou o vídeo que fez para a PF. Frase solene, que tem por objetivo apenas desviar a atenção de todos do assunto principal.

Tenha ou não manipulado o vídeo – quem quiser que ponha a mão no fogo pela Globo – o que realmente interessa é que a emissora explique porque agiu como agente policial. É esta explicação que a Rede Globo deve à nação. Que pelo menos se explique ao telespectador, já que conseguiu escapar tranquilamente de qualquer cobrança dos sindicatos de jornalistas, da Associação Brasileira de Imprensa, da Federação Nacional dos Jornalistas e do Ministério das Comunicações.

EIS O PRIMEIRO COMENTÁRIO QUE FIZEMOS SOBRE ESTE ASSUNTO: O delegado federal Amaro Ferreira, encarregado de um inquérito interno para apurar eventuais abusos cometidos pelo seu colega Protógenes Queirós na operação Satiagraha, chegou a pelo menos uma conclusão que causa espanto: segundo ele, a TV Globo forneceu equipe e equipamento para que a PF filmasse um jantar entre representantes do banqueiro Daniel Dantas e agentes da polícia. Neste encontro, teria ocorrido uma tentativa de suborno dos policiais.

O filme tornou-se peça fundamental do inquérito contra Daniel Dantas e outros acusados de fraude e desvio de recursos. Protógenes, segundo o delegado Amaro, usou uma equipe da TV Globo para filmar o encontro no restaurante El Tranvia, em São Paulo. A TV Globo, dizem os jornais, não vai se pronunciar sobre a denúncia. Pois devia. Tinha o dever de explicar à opinião pública, eventualmente às autoridades, em nome do que uma emissora de televisão, simplesmente a maior do país, decide se transformar em ajudante de policiais. Desde quando o telejornalismo da Globo ganhou insígnia da PF e autorização para fornecer pessoal e equipamento para policiais em meio à investigação de crimes? É possível entender que a TV Globo tente, depois de concluído um inquérito da PF ou de qualquer polícia, aproximar uma equipe sua dos agentes para filmar as prisões.

Todas as emissoras, se pudessem, fariam o mesmo. Só não o fazem porque, de maneira geral, os delegados que presidem inquéritos dão preferência à Globo, por exibicionismo ou sabe-se lá que razões ainda menos dignas. O que a TV Globo decididamente não tem direito de fazer é emprestar cinegrafista e câmera para ajudar um elegado a produzir provas numa ação investigativa. É abusivo. É possível que seja criminoso. É desvio de conduta que devia chamar a atenção do ministério das Comunicações.